{"id":440,"date":"2021-10-07T23:32:01","date_gmt":"2021-10-08T02:32:01","guid":{"rendered":"https:\/\/symbolize.com.br\/?p=440"},"modified":"2021-10-12T00:31:33","modified_gmt":"2021-10-12T03:31:33","slug":"psicanalise-ou-psicoterapia-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/2021\/10\/07\/psicanalise-ou-psicoterapia-eis-a-questao\/","title":{"rendered":"Psican\u00e1lise ou Psicoterapia: Eis a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Tha\u00eds Rafael<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante de toda constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da psican\u00e1lise e de todos os conceitos freudianos desenvolvidos ao longo de v\u00e1rios per\u00edodos, o que podemos destacar \u00e9, sem sombras de d\u00favidas, a vis\u00e3o freudiana quanto ao lugar ocupado pelo analista, ou seja, o abandono do lugar de mestria e sua inser\u00e7\u00e3o no inconsciente atrav\u00e9s da fala do analisando. (MILLER, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos observar que Freud (1914\/1996) iniciou o seu trabalho atrav\u00e9s dos estudos em pacientes hist\u00e9ricas dentro dos hospitais. Essas pacientes eram tratadas com descaso pela medicina da \u00e9poca, uma vez que seus sintomas, para ci\u00eancia, perpassavam mais por uma teatralidade do que uma etiologia org\u00e2nica. Foi atrav\u00e9s da estranheza dos sintomas hist\u00e9ricos que nasce uma teoria, uma abordagem capaz de se diferenciar de toda psicologia desenvolvida. Assim, a psican\u00e1lise constr\u00f3i uma identidade \u00fanica se diferenciando at\u00e9 mesmo da psicologia e das pr\u00e1ticas diversas de psicoterapia.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a cerne do texto a seguir tem como objetivo retomar um pouco dessa trajet\u00f3ria hist\u00f3ria da psican\u00e1lise e contrapor sobre algumas posi\u00e7\u00f5es psicoter\u00e1picas, que apesar de seus efeitos, que se diferenciam em muitos pontos da pr\u00e1tica analista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Constru\u00e7\u00e3o do saber psicanal\u00edtico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Psican\u00e1lise nasceu no S\u00e9c. XIX, atrav\u00e9s dos estudos de um jovem m\u00e9dico Vienense Sigmund Freud (FREUD,1914\/1996), que se interessou pelos casos das hist\u00e9ricas observando o trabalho de um neurologista chamado Charcot. Para este m\u00e9dico, a histeria deveria ter alguma causalidade org\u00e2nica, mudando de id\u00e9ia posteriormente classificando-a como \u201c[&#8230;] uma doen\u00e7a que escapa \u00e0s mais penetrantes investiga\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas\u201d. (GARCIA-ROZA, 2002, p. 32).<\/p>\n\n\n\n<p>Freud (1914\/1996) se interessou pelo m\u00e9todo da hipnose, tendo trabalhado arduamente com a t\u00e9cnica a fim de se chegar a uma poss\u00edvel cura para histeria, que foi diagnosticada como uma causalidade ps\u00edquica e a n\u00e3o quest\u00f5es ligadas a etiologias org\u00e2nicas, como os m\u00e9dicos acreditavam.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o trabalho sobre a hipnose, Freud percebe que tal procedimento apenas eliminava o sintoma, mas n\u00e3o sua verdadeira causa. Com isso,<\/p>\n\n\n\n<p>Freud prop\u00f5e, ent\u00e3o, que se empregue um m\u00e9todo elaborado por Joseph Breuer e que consiste em fazer o paciente remontar, sob efeito hipn\u00f3tico, \u00e0 pr\u00e9-hist\u00f3ria ps\u00edquica da doen\u00e7a a fim de que possa ser localizado o acontecimento traum\u00e1tico que originou o dist\u00farbio (GARCIA-ROZA, 2002, p. 35).<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda com a hipnose, Freud inovou o procedimento, incluindo a sugest\u00e3o como meio terap\u00eautico, pois at\u00e9 ent\u00e3o, Breuer em seu m\u00e9todo aguardava que as pacientes chegassem ao ponto traum\u00e1tico. Com o uso da sugest\u00e3o Freud podia eliminar o fato traum\u00e1tico recontando a cena apontada por suas pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um per\u00edodo, Freud (1914\/1996) acabou abandonando a hipnose concluindo que tal m\u00e9todo desloca o sintoma de lugar, mas n\u00e3o o eliminava completamente como acreditava, pois tal procedimento n\u00e3o alcan\u00e7a a raiz das verdadeiras quest\u00f5es hist\u00e9ricas \u2013 a sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da sexualidade \u00e9 sim muito importante, mas o grande tesouro da Psican\u00e1lise se d\u00e1 atrav\u00e9s das manifesta\u00e7\u00f5es inconscientes trabalhas a finco por Sigmund Freud. Tal descoberta \u00e9 o cerne de todo o trabalho freudiano. (GARCIA \u2013 ROZA, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, com o abandono da hipnose, Freud resolve trabalhar com que ir\u00e1 denominar de regra fundamental da Psican\u00e1lise, a associa\u00e7\u00e3o livre. (FREUD, 1912\/1996). Tal m\u00e9todo permite que o sujeito, fale de suas quest\u00f5es livremente. Freud acreditava que com tal dispositivo seria poss\u00edvel alcan\u00e7ar as manifesta\u00e7\u00f5es do inconsciente do sujeito, atrav\u00e9s dos chamados atos falhos, chistes, sonhos e sintomas, que o paciente ir\u00e1 manifestar durante o processo anal\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses eventos ocorrem, por que o sujeito ir\u00e1 recalcar aquilo que sua consci\u00eancia n\u00e3o suporta, isto \u00e9, o desejo, devido ao fato de que a experi\u00eancia primordial de satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel de ser revivida (FREUD, 1900\/1996).&nbsp; Acerca disso, o livro <em>\u201cFreud e o Inconsciente\u201d<\/em> de Luiz Alfredo Garcia-Roza, explica as seguintes observa\u00e7\u00f5es feitas pelo pai da Psican\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Freud abandona a hipnose e solicita aos seus pacientes que procurem se lembrar do fato traum\u00e1tico que poderia ter causado os sintomas, verifica que tanto a insist\u00eancia quanto os esfor\u00e7os do paciente com uma resist\u00eancia destes a que as id\u00e9ias patog\u00eanicas se tornassem conscientes. Qual seria a natureza dessas id\u00e9ias e por que geravam essa resist\u00eancia? Analisando detalhadamente os casos de an\u00e1lise completa de que j\u00e1 dispunha, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que todas essas id\u00e9ias eram de natureza aflitiva, capazes de despertar emo\u00e7\u00f5es de vergonha, de autocensura e de dor ps\u00edquica. (GARCIA-ROZA, 2002, p. 37\/38).<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que o nascedouro da Psican\u00e1lise foi atrav\u00e9s dos estudos profundos sobre a histeria, no qual foram observados os acontecimentos que ocorriam com as pacientes, descobrindo assim, o fasc\u00ednio de que nomeou como Inconsciente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Psican\u00e1lise x Psicoterapia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse pequeno relato sobre a constru\u00e7\u00e3o do saber psicanal\u00edtico, fica evidente a diferen\u00e7a do modo de trabalhar de um psicanalista e de um psic\u00f3logo, por exemplo, apto a intervir com a famosa psicoterapia. Sobre esta podemos dizer que sua pr\u00e1tica ainda se fundamenta na sugest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esta quest\u00e3o no texto \u201c<em>Sobre a Psicoterapia\u201d<\/em> Freud cita sua responsabilidade quanto \u00e0 pr\u00e1tica psicoter\u00e1pica, uma vez, que participou de sua constru\u00e7\u00e3o, pois foi ele quem a criou, apesar de t\u00ea-la abandonado. \u201cEm todos os casos graves, vi a sugest\u00e3o introduzida voltar a desmoronar, e ent\u00e3o reaparecia a doen\u00e7a ou um substituto dela\u201d (FREUD, 1904 &#8211; 1905\/1996, p. 247).<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante, neste mesmo texto, Freud (1904 &#8211; 1905\/1996) faz uma observa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 pr\u00e1tica da psicoterapia e a terapia anal\u00edtica, termo usado para referir sua atua\u00e7\u00e3o. Ainda sobre a sugest\u00e3o, ele dir\u00e1 que essa \u00e9 uma forma de impedir que a express\u00e3o da id\u00e9ia patog\u00eanica venha \u00e0 tona. No que se refere \u00e0 terapia anal\u00edtica, esta tem a fun\u00e7\u00e3o de subtrair, ou seja, retirar das profundezas do sujeito a causa patog\u00eanica. A terapia anal\u00edtica n\u00e3o pretende acrescentar algo de novo, mas apenas trazer algo de dentro para fora.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar que a psican\u00e1lise se estabelece ap\u00f3s o abandono da t\u00e9cnica hipn\u00f3tica, passando pelo uso de t\u00e9cnicas sugestivas at\u00e9 se fixar em sua regra fundamental, a associa\u00e7\u00e3o livre. O psicanalista ent\u00e3o tra\u00e7ar\u00e1 uma investiga\u00e7\u00e3o do inconsciente, a fim de que o analisando construa um saber acerca de suas quest\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas. Sobre isso<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] a descoberta freudiana n\u00e3o seria propriamente a exist\u00eancia do Inconsciente, mas a formaliza\u00e7\u00e3o deste como um fator determinante do psiquismo de um sujeito humano. O axioma do determinismo ps\u00edquico \u00e9 o axioma da Psican\u00e1lise. O que fez a partir desta descoberta? Inventou o psicanalista, aquele que se prop\u00f5e a analisar o psiquismo, aquele que, por meio de um procedimento bastante especifico, promoveria a revela\u00e7\u00e3o do inconsciente com o objetivo terap\u00eautico de livrar o sujeito da ang\u00fastia causada por aquilo que \u00e9 seu, mas do qual nada sabe. (MORETTO, 2001, p. 24)<\/p>\n\n\n\n<p>A Psican\u00e1lise ir\u00e1 trabalhar com as manifesta\u00e7\u00f5es provenientes do inconsciente do sujeito. Elementos pertencentes a este sujeito, mas que por algum motivo foram recalcados. E essa din\u00e2mica anal\u00edtica, ocorre por algo precioso, definidor de todo processo anal\u00edtico, essa preciosidade denominada como transfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o psiquismo, Miller (1997) vem dizer que tanto a psicoterapia e a psican\u00e1lise vinculam a causa ps\u00edquica do problema em quest\u00e3o, ou seja, ambas admitem a exist\u00eancia de uma realidade ps\u00edquica. &nbsp;Al\u00e9m disso, ir\u00e3o se valer tamb\u00e9m de uma transfer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Freud erigiu a regra fundamental pela qual se acessa o caminho para o inconsciente, ou seja, a associa\u00e7\u00e3o livre. Como j\u00e1 afirmado, a partir de sua interven\u00e7\u00e3o por esta via, a transfer\u00eancia se estabelecer\u00e1, ressaltando que a esta n\u00e3o se constitui uma modalidade un\u00edvoca, possuindo v\u00e1rios aspectos. Portanto, ser\u00e1 esta l\u00f3gica de trabalho do analista que produzir\u00e1 a constitui\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia no contexto da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. (FREUD, 1912\/1996).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Em outros termos, sob a rubrica do sujeito suposto saber, este conceito implicar\u00e1 \u00e0 garantia ao paciente de que h\u00e1 um saber naquilo que \u00e9 dito e que isso tem o seu valor. N\u00e3o se trata de um sujeito que tudo sabe, embora possa ser produzida esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre este ponto, podemos observar que uma das grandes diferen\u00e7as estabelecidas entre a psican\u00e1lise e a psicoterapia \u00e9 que esta, a psicoterapia, se vale do lugar de mestre, do lugar da sugest\u00e3o, lugar este abandonado pela teoria freudiana. A psican\u00e1lise por sua vez, recusa a assumir este lugar de mestria. Al\u00e9m do mais, o inconsciente ser\u00e1 o objeto central de todo desenrolar anal\u00edtico. Ademais, a psicoterapia \u201ctrata-se de restituir ao eu (moi) suas fun\u00e7\u00f5es de s\u00edntese e de maestria, sob o olho do mestre que desempenha o papel de modelo\u201d (MILLER, 1997, p.13).<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, existem semelhan\u00e7as, segundo Miller (1997), as duas abordagens, tanto a psican\u00e1lise quanto a psicoterapia utilizam a fala, a palavra como t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dos ensinos e teoriza\u00e7\u00f5es de Jacques Lacan (1953-1954\/1986), pode-se notar que a linguagem passa a ser fundamental, na medida em que esta participa da estrutura\u00e7\u00e3o do inconsciente. Dessa maneira, o inconsciente, ao sofrer as interven\u00e7\u00f5es anal\u00edticas, exigindo, a cada dia, que os analistas pensem e re-pensem a sua pr\u00e1tica. (MILLER, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Em algum momento \u00e9 poss\u00edvel um di\u00e1logo entre a psican\u00e1lise e a psicoterapia, isso ocorre quando utilizamos a abordagem psicanal\u00edtica dentro de institui\u00e7\u00f5es, por exemplo, utilizando &#8211; se da psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Miller (2002), no que diz respeito a psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica, iremos at\u00e9 um certo ponto do grafo do desejo, iremos nos valer do primeiro andar deste grafo. &nbsp;Com certeza, existem efeitos na primeira parte do grafo, no qual o psicanalista respons\u00e1vel ir\u00e1 dar um sentido para os significantes, ir\u00e1 nome\u00e1-los, ir\u00e1 intervir. \u00c0s vezes far\u00e1 o papel do Outro, mesmo que n\u00e3o permane\u00e7a neste lugar, mas ir\u00e1 fazer com que haja um efeito terap\u00eautico. Sobre o andar de baixo do grafo do desejo Quinet traz algumas importantes observa\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>Ao endere\u00e7ar a sua fala ao analista no lugar do A, o sujeito transfere aquilo que \u00e9 para ele o significado do Outro, ou seja, seu sintoma. Pela n\u00e3o resposta do analista, \u00e9 poss\u00edvel ir para o patamar superior e n\u00e3o ficar circulando no circuito de baixo, que \u00e9, propriamente falando, o circuito imagin\u00e1rio, do sentido, da consci\u00eancia, do eu do sujeito. [&#8230;] As psicoterapias atuam nesse circuito trabalhando sobre o ego o significado do sintoma e refor\u00e7ando os ideais. J\u00e1 a psican\u00e1lise modifica essas inst\u00e2ncias atuando n\u00e3o sobre eles diretamente, e sim sobre suas determina\u00e7\u00f5es inconscientes (QUINET, 2003, p. 102).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante ressaltar, que a proposta n\u00e3o \u00e9 transformar a psican\u00e1lise em psicoterapia, isso seria irris\u00f3rio, mas o primeiro plano do grafo do desejo se assemelha com os efeitos produzidos em uma psicoterapia, mesmo que a Psican\u00e1lise n\u00e3o se proponha ficar neste primeiro plano.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, os efeitos de alivio frente a um sintoma, qualquer interven\u00e7\u00e3o pode produzir. O foco das atua\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas \u00e9, portanto, as rela\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias, restringindo-se \u00e0quilo que \u00e9 demandado pelo paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>O sujeito institui assim um Outro que possua um significante mestre com a qual possa identificar-se e que o salve de ter que se tornar a seu pr\u00f3prio cargo. At\u00e9 aqui estamos no campo das Psicoterapias, mas que \u00e9 tamb\u00e9m ponto de inser\u00e7\u00e3o com a Psican\u00e1lise e sua poss\u00edvel porta de entrada. E a diferen\u00e7a, qual \u00e9? A diferen\u00e7a \u00e9 que o psicanalista n\u00e3o responde as quest\u00f5es do sujeito. N\u00e3o oferece significantes com os quais ele possa se identificar. Ele n\u00e3o se prop\u00f5e calar o sintoma, mas interrog\u00e1-lo para que o saber inconsciente se movimente. (BA\u00caTA, 1996, p. 75).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia que a psican\u00e1lise, mesmo a psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica, mantenha seu preceito primordial, a associa\u00e7\u00e3o livre. \u00c9 fundamental, que a psican\u00e1lise continue a se ater para o inconsciente do sujeito, que sua escuta seja uma escuta direcionada a fala do sujeito.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos perceber ent\u00e3o, que atrav\u00e9s dos estudos freudianos sobre a histeria que surge uma curiosa pr\u00e1tica, a sugest\u00e3o hipn\u00f3tica, m\u00e9todo capaz de remontar uma cena traum\u00e1tica atrav\u00e9s de um estado de rebaixamento da consci\u00eancia. Assim, surge \u00e0 sugest\u00e3o, m\u00e9todo posteriormente abandonado por Freud, que abre caminhos n\u00e3o somente para todo o trabalho anal\u00edtico, mas tamb\u00e9m para pr\u00e1ticas psicoter\u00e1picas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 de suma import\u00e2ncia observar que as duas abordagens se fazem valer, a partir da fala, da transfer\u00eancia e do endere\u00e7amento do sujeito, que busca uma cura. \u00c9 poss\u00edvel encontrar um dialogo entre ambas, na medida em, que atrav\u00e9s da psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica, produzem um al\u00edvio sintom\u00e1tico e se encontram no plano primeiro do grafo do desejo.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen\u00e7as se destacam, quando ressaltamos a import\u00e2ncia da pr\u00e1tica anal\u00edtica, mesmo dentro das institui\u00e7\u00f5es, de manter seus preceitos como, por exemplo, a associa\u00e7\u00e3o livre. Al\u00e9m disso, a busca pelo inconsciente atrav\u00e9s das manifesta\u00e7\u00f5es provenientes deste, que tra\u00e7ar\u00e1 a atua\u00e7\u00e3o do psicanalista.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 a psicoterapia, se faz valer do lugar de mestria, respondendo as demandas do sujeito. Para a psican\u00e1lise, tal lugar, tamb\u00e9m \u00e9 ocupado em certa medida, mas jamais deve se permanecer em tal patamar.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>REFER\u00caNCIAS<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>BA\u00caTA, Maria de Lourdes. A transfer\u00eancia no hospital geral \u2013 uma quest\u00e3o pol\u00eamica. In: <strong>Revista Reverso<\/strong>. 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>FREUD, Sigmund. A hist\u00f3ria do movimento psicanal\u00edtico (1914). In:<strong>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira. <\/strong>Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XIV, 1996. 13-73 p.<\/p>\n\n\n\n<p>FREUD, Sigmund. Sobre o in\u00edcio do tratamento (1912). In:<strong>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira. <\/strong>Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XII,. 137 \u2013 160 p.<\/p>\n\n\n\n<p>FREUD, Sigmund. Sobre a Psicoterapia (1904 &#8211; 1905). In:<strong>Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud: edi\u00e7\u00e3o standard brasileira. <\/strong>Rio de Janeiro: Imago, 1996, v. XIV, 1996. 244 \u2013 254 p.<\/p>\n\n\n\n<p>GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. A pr\u00e9-hist\u00f3ria da psican\u00e1lise \u2013 1. In: GARCIA-ROZA. <strong>Freud e o inconsciente. <\/strong>16. ed. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1999. 2-41p.<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Jacques-Alain. Psican\u00e1lise e psicoterapia. In: FORBES, Jorge (org). <strong>Psican\u00e1lise e psicote<\/strong><strong>rapia<em>. <\/em><\/strong>S\u00e3o Paulo: Papiros, 1997. 9 \u2013 19 p.<\/p>\n\n\n\n<p>Miller, Jacques-Alain. Psychanalyse pur\u00ea, psychanalyse appliqu\u00e9 et psychoth\u00e9rapie. In: <strong>La cause freudienne<\/strong>, n\u00ba 48, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>MILLER, Jacques-Alain. <strong>Percurso de Lacan: <\/strong>uma introdu\u00e7\u00e3o. 2. ed. rev. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>MORETTO, Maria L\u00edvia Tourinho. <strong>O que pode um analista no hospital?<\/strong> 3. ed. S\u00e3o Paulo: Casa do Psic\u00f3logo, 2008. 217 p.<\/p>\n\n\n\n<p>LACAN, Jacques. (1953-1954). Momento da resist\u00eancia: In: LACAN, Jacques. <strong>O semin\u00e1rio, livro1:os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/strong>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1986. p. 14-88.<\/p>\n\n\n\n<p>QUINET, Antonio. Demanda e desejo. In: <strong>A descoberta do inconsciente:<\/strong> do desejo ao sintoma. 2. ed. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2003. 87 \u2013 116 p.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de toda constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da psican\u00e1lise e de todos os conceitos freudianos desenvolvidos ao longo de v\u00e1rios per\u00edodos, o que podemos destacar \u00e9, sem sombras de d\u00favidas, a vis\u00e3o freudiana quanto ao lugar ocupado pelo analista, ou seja, o abandono do lugar de mestria e sua inser\u00e7\u00e3o no inconsciente atrav\u00e9s da fala do analisando.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":449,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-psicologia-clinica"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=440"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":666,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/440\/revisions\/666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/symbolize.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}